segunda-feira, agosto 21, 2006

Sem dúvida ... continuamos a conversar . . .

. . . Até agora não entendo o porquê algumas pessoas saem do bar para fumar. Eram umas quatro e pouco e sai, para tomar um ar. Tinha vontade de ir embora. Queria ir, mas não fui. Tinha que esperar alguém pra descer a avenida comigo. Ou então esperaria amanhecer pra ir sozinha. O lugar tava lotado. Mal dava pra se mexer. Fiquei a noite dando voltas, encontrando conhecidos. Não passava de mais uma noite dessas de conversas sociáveis. Mas como já era quase cinco, o bar já estava esvaziado. A música ainda era legal, uma boa leva de rock. Tava cansada, sai, fui para a frente do bar. Mais gente fumando, mais conversas, dessa vez com desconhecidos. Já tava de saco cheio.

Tinha um guri, na verdade dois guris, que há muito tempo uma amiga e eu “cuidávamos”. Mas eu não tava afim, e ela estava casada por aquela noite. “Ai!Mas ele é tão bonitinho”, me dizia ela. E para ela, era o mais bonito mesmo. O cara parecia um pato. Era feio, sim. Tem vezes em que se quer sair e não ficar com ninguém. Enche mesmo o saco essa história. Cansa. Não cansa quando já se quer esse alguém, alguém especifico, há algum tempo. Aí vale a pena. Claro, existem raríssimas exceções. Tentou me beijar, virei o rosto. Numa outra tentativa alcançou-me o lábio inferior. Eca! “Mas ele é tão lindo”. Mas pra mim parecia um pato.

Mais algumas conversas, fui até a frente do bar, que já estava mais vazio. Mais cansada. Entrei com um único desejo: sentar-me um pouco. Abri a porta e fui reto em direção ao único lugar vazio do sofá maior. Nem olhei quem tava por ali. Só sei que ao arredar para o lado umas roupas e bolsas que estavam ocupando o espaço por mim desejado, dei-me por conta. Ele. Ele que há muito tempo queria conhecer.



Ajudou-me a afastar aquelas coisas dali e eu sentei ao seu lado, já sem nem mesmo acreditar. O espaço apertado e o silêncio constrangedor não me ajudavam a pensar em nada para dizer a ele. Em nada mesmo. Só me vinha a idéia de que há muito queria conhecê-lo. Dizia sempre que ele era o tipo “pai dos meus filhos”. Comecei a mexer no zíper da minha bolsa, tentando me distrair. Não lembro a primeira frase que disse, só sei que começamos a conversar. Numa dessas bobagens que se diz num primeiro encontro, eu disse que ele tinha cara de quem fazia história. “E quem não faz?”- ele me disse. Já era formado. Um cara gordo, de bochechas engraçadas, ofereceu-me cerveja. Era amigo dele. E ao lado do bochechudo, mais uns dois homens; e ao lado dele, mais duas mulheres. A simpática mulher que estava ao seu lado me olhou e sorriu.

Olho para a frente e vejo meus amigos sentando no outro sofá, em minha frente. Soltei um sorriso, desses que não se consegue desfazer tão fácil. Ao vê-los dei-me por conta que mais uma acaso acontecera. E esse seria, sem dúvida nenhuma, o melhor dos últimos tempos. Sem dúvida, seria. Virei para rosto dele e senti uma enorme vontade de passar seus cabelos cacheados entre meus dedos. Continuamos a conversar. Ele virou para a mulher simpática e beijou-a. Na boca. Continuamos a conversar . . .


quinta-feira, agosto 17, 2006

Acho que apago isso depois . . .


. . . semana rápida . . . muito ligeira . . .
Já é sexta!
Saudade!Saudades!
Podia estar em outro lugar, outra cidade, mas é melhor assim...eu acho!
Ficar um pouco sozinha, quieta.
Acho que muitos conhecidos saíram ontem. E eu tava incentivando! Mas não queria! Queria ficar em casa! Queria, quero, quero ficar sozinha! Sozinha um pouco!
Tinha decidido isso pra essa semana. Tinha mesmo. Mas e o que aconteceu na segunda? . . . hum!

Semana ligeira!Muito rápida!

Tenhos várias coisas pra fazer hoje! Muitas! Uma eu podia deixar pra alguém, porém, acho que esse alguém não se ligou . . . Uma boa quinta-feira! Várias idéias, vários incentivos. Um bom dia!Ah nem tanto! Mas nem as brincadeiras coloradas me irritaram. Na verdade nada me irrita tão fácil. Não mesmo. Ah! Era rádio e , bem provável, escolheria esporte ou política. E escrevi só sobre o Inter. hehe! Tava bem, sim. Um bom dia. Não ótimo, um bom dia!
Não sei por qual motivo aqui escrevo agora. Não sei. Mas e eu ainda não sei de tantas coisas. E de outras coisas eu bem sei. Ah!Quanta bobagem!
Tô indo dormir. . . que tem mais teorias daqui a pouco! Teoria da comunicação! Como se nem todas assim fossem, não?!

segunda-feira, agosto 14, 2006

No meio termo . . .

... No meio termo . . . é o mais ou menos que vale!

Não é preciso viver num mundo de queixumes, é verdade. Mas é impossível ignorar as lástimas que fazem parte da vida. ‘Faz parte!’-e como fazem-. Não confio muito nesses que consideram ser um ato vergonhoso, por vezes até covarde, o de compaixão. Parecem viver por viver. Parecer forte? Realista? E ainda para os outros? E pra quê?
Se estes vão acabar por esmorecer na própria languidez. Sim, nessa criada por eles, os próprios desbravadores dos tais “mundinhos”. Então, paro eu, no meu tempo. Ao meu tempo, paro, penso e, quem sabe até aprendo. Quem sabe. Aos que dizem que dos adjetivos frio(a) e superficial faço mil observações e até julgamentos, fica a breve citação:

***
A felicidade bestializa: só o sofrimento humaniza as pessoas.



Disseram-me que sou da turma do mais ou menos...dessa onde o meio termo é que vale . . .

Página 107 . . .

. . . Tentei ver um filme que já havia tentando assistir na última semana. A porcaria do dvd trancou. E isso já eram umas duas horas. Cansei de tentar fazer o filme rodar. Fui baixar mais músicas. E fiquei, até umas cinco e pouco, baixando música e lendo blogs jamais antes vistos. Textos bacanas, outros deprimentes de tão ruins. Mas... desliguei tudo. Arrumei a cama com aquela sensação de um outro ciclo. É assim comigo- quem me conhece, sabe. Quem acha que conhece, acho que também já descobriu. Bom..mas enfim! Madrugada, já manhã dessa segunda e eu sem sono. Sem nenhum princípio de sono. Lá na página 107 de um pocket com suas amareladas páginas, eu li:

“ (....) Uma coisa horrível que existe no mundo é o fato dos jovens não terem liberdade para amar; mas pior ainda do que isso é que eles não sabem amar; e no entanto foram feitos para o amor. Não sei se o senhor me entende: uns fogem do amor e outros o procuram com sofreguidão, mas no fim o que fica, em todos, é a mesma coisa, uma insuportável sensação de vazio.”

Paramos. O meu sorriso concordável e surpreso e eu. E aí a minha boca fechou e eu segui sozinha, querendo ler e ler e ler aquilo tudo ali...

“(....) O amor é generosidade, compreensão, ausência de egoísmo, mas no entanto, os amantes são egoístas, mesquinhos e intolerantes, porque essa é a condição humana; agora, acontece que na fase de aguda excitação psíquica que caracteriza todo amor, essas coisas não parecem com muita nitidez.”

Essas coisas acontecem. Acaso? Já me perguntaram se conheço esse tal acaso, se nele acredito. Não creio em muitas coisas, não. Pelo menos acho que não creio nas “certas”. É o que parece. Se acaso ou não...aí está, o fim quase acabado da página 110:

“(...) Lentamente comecei a sentir saudades dela e quanto mais tempo passava mais eu sentia sua ausência. Anos, muitos anos já se passaram, eu nunca mais a vi, cada vez ela está mais perto de mi: esqueci todas as outras mulheres que conheci depois, nem mesmo me lembro do nome de muitas, mas dela lembro tudo, tudo. Estranho, o senhor não acha?” . . .



quinta-feira, agosto 10, 2006

Tudo isso . . .

... Era uma vez uma guria que espera encontrar alguém em que pudesse acreditar e fazê-la crer em alguma coisa. Esperava, já sem qualquer resquício de ansiedade, tudo isso. Algo quase impossível, sabia. Mas às vezes flagrava-se pensando que tudo isso era algo quase impossível. Imagina! Beirar sei lá que idade sem ter encontrado tudo isso. Ah! Mas o bom mesmo seria encontrar tudo isso depois de ter aproveitado todo o resto. Porém, não valeria tanto. Se queria tudo isso, não valeria. Não mais pensava tanto em tudo isso. Não mesmo. Aprendera a deixar tudo isso para depois. Que coisa! Quando se aprende algo, outro algo novo acontece! É assim, não? Como já se sabe, a guria não procurava tudo isso, mas esperava. Quem procura acha...e quem não procura? Foi achada! Nos seus 17 anos foi achada. Sabe agora que tudo isso é tudo isso, só não sabe se vale a pena ...

terça-feira, agosto 08, 2006

Mais aula ...

... Primeira semana de aula...
hum...mais compromissos
Ah!Mas se fosse só isso...
E não?
Não. Mais conflitos.
Mais...mais...mais tudo...
Ainda bem!...ou não...
Ou não ...

quinta-feira, agosto 03, 2006

RUA ENVENENADA


- Sabe o cachorro da Dona Maria? Morreu. Anteontem!
- Ai! Como? De quê?
- Envenenado.

A vizinhança era tranqüila. Exemplar, até. Ruazinha de dar inveja. Pátios sem grandes grades, apenas cercas baixas e bem pintadas. As árvores nos dois lados da rua serviam como traves para as peladas diárias da turma do João. Ricardo, Zeca, Caio, Juca e João, o time da rua. O outro time era o da outra rua. As duas equipes viviam a disputar qualquer negócio. Não era só futebol, não. Bolita, corrida de bicicleta também. Só ficavam do mesmo lado quando a Jurema aparecia. A misteriosa velha sem rua. Não existia um dia certo para suas aparições. Cabelos curtos e grisalhos, preso com uma meia dúzia de grampos. Para os dias mais frios, pouca roupa, aliás, a única. Uma calça moletom preta com um furo no joelho esquerdo e uma camiseta estampada. Como fiel companheiro, o seu olhar melancólico e o par de velhas botas. Não fazia o tipo assustadora, mas botava medo naqueles guris. Não raro, quando a turma teimava em guardar a pelota e ir para a casa tomar banho, uma das insistentes mães gritava: “Aé? Olha que a véia sem rua vem aí!”. Na hora a gurizada acabava o jogo. Advertência que servia também para os guris da outra rua.

O único que há pouco tempo passara a não mais se importar com os amedrontamentos era João. Na primeira, e última vez, que levou sua bola de couro, tinindo de nova para jogar, o Zeca fez bobagem. Brigou com o Joel, o guri mais velho e com pinta de forte da outra rua. O gorducho deu um chutão na bola e lançou-a na esquina, no pátio da Dona Maria. João nem se deteve em pedir ao Zeca para ir pegar a bola. Assim que ela saiu da ponta do pé do Joel ele acompanhou-a com o olhar e seguiu correndo para pegá-la, antes que o cachorro da vizinha destruísse a sua bola nova. Mais rápido que a corrida foi o pulo de João. Saltou a cerca, antes que a rabugenta Dona Maria o visse. Retornou à rua pelo fresta entre a cerca e o chão. “Imagina se a Maria Gorda descobre! Hehe!”- pensou com um sorriso sacana de quem havia aprontado mais uma. Ao dobrar a esquina, seu sorriso se desfez e qualquer pensamento foi apagado. Mal conseguia respirar. O olhar do João parou de brilhar quando se encontrou com o da Jurema Sem Rua. Foram dez segundos de pânico. Engoliu seco e desviou logo daquela velha. Voltou apavorado. Tratou de respirar fundo, ficar calmo e foi logo contando sua proeza aos demais guris. Escapara das garras da velha, da Dona Maria e da Jurema. Claro, sem dizer que ficara apavorado.

Isso já fazia mais de dois meses e, depois disso, João nunca mais sentiu medo da Jurema. Das poucas vezes em que a turma teve a surpresa de vê-la, os dois trocaram cúmplices olhares. João chegou a dizer para os outros guris um dia, sem muito pensar: “Deixem ela! É apenas uma mendiga!”. Mas fora isso, a vida na rua seguia calma e pacata. Famílias felizes, fofocas além das cercas, aposentados descansando em paz. Pelo menos até o dia do primeiro envenenamento. Dali uma semana, o segundo.

- E a gata do Seu João?
- Ah não!
- Sim, morreu envenenada também.
- Pobres bichanos! Como alguém pôde fazer isso? Que horror! Mas e aí? Tem suspeita do crápula que fez isso?

João não gostava muito das conversas entre a sua mãe e a mãe de Zeca. As duas levavam a fama de fofoqueiras da vizinhança, o que não deixava o guri muito a vontade. O que já não parecia incomodar muito o amigo. Zeca era conhecido como fuxiqueiro. Sempre queria fazer intriga na turma. Fazia quase 40º naquela tarde de sábado. O calor era tanto que os guris da outra rua não quiseram jogar. Os outros três da turma tinham ido ao clube. Zeca convidou João para jogar vídeo-game em sua casa. E não foi surpresa para João, lá estava a mãe dele com a do Zeca fofocando na beira da cerca, como de costume. Os guris estavam passando pela fofoca semanal quando João ouviu e parou.

- Dizem por aí que foi a Jurema. Aquela mendiga que passa aqui pela rua.
- Mas como pôde! Já não bastava a desgraça da vida dela, ainda tem que desgraçar a dos outros! Pobres bichanos.

Zeca cochichou com o amigo. - Viu só. Aquela velha não presta. Minha mãe disse que ela é bruxa e que é pra gente se cuidar, senão daqui uns dias ela nos pega.- advertiu ele, arregalando os olhos de fofoqueiro mirim. Os dois pararam e a “conversa” continuou.

- Pois é... dizem também que fez isso porque os bichanos estavam roubando sua os restos de comida dos lixos . . .

A mãe de Zeca percebeu que os guris estavam escutando e tratou de correr com os eles dali: -Já pra dentro. Mas que feio Zeca! Ouvindo a conversa dos mais velhos!

- Temos que dar um jeito nessa mulher. Sei lá....Não deixar mais ela passar, tirar ela daqui.
-Ah! Mas eu já disse...

Os guris foram jogar video-game. Afinal, a vida na rua feliz continuava, com ou sem os bichos envenenados, com ou sem a velha Jurema.

Rápidas...ligeiras férias...


... Semana rápida essa! Ah! Só mais uma, vai! Não dá! Começam as aulas! Um mês de férias, que na verdade foram 15 dias. Teve o Festival, depois veio a Jornada. E que Jornada, hehe! Muito legal. Muitíssimo. Duas primeiras semanas sem reclamações, simplesmente perfeitas, em todos e quaisquer sentidos possíveis. Ah! O Festival! Ah! A Jornada! :)

E depois...uma semana para sair com boas –e também más- companhias, hum... tempo para muita reflexão também, hehe! Até a outra sexta-feira, 22. É....muita coisa, muita não, algumas coisas aconteceram. E fez tudo mudar, ou voltar ao estado inicial. Se bom ou ruim, não sei. Aliás, só sei que não quero saber.
Ah! Mas a última semana. Sim, breve viagem. Cansativa-um pouco só-mas bacana. Sem muitos passeios, mas tempo para muita observação. Nada muito planejado, apenas uma mochila, só. Sem registros fotográficos. Fizeram falta esses, principalmente nas belas vistas de beira de estrada. Não tem como esquecer o dourado daquelas plantações de trigo reluzindo com o belo pôr-do-sol. Dessas imagens que se vê e suspira, sente-se que algumas coisas simples ainda fazem tudo valer a pena.

Tudo tranqüilo. Isso tudo até a última quarta-feira. Depois disso, alguns probleminhas que precisavam ser solucionados, já aqui na cidade. E assim foram. E aí mais uma sexta e, nem tudo como queria. Não fui onde queria e se fiquei com quem queria....já disse que não quero nem saber!

De sábado a terça...sozinha. Só queria internet para baixar músicas. Absolutamente solita. Sem telefonemas, breves diálogos via msn. E mesmo assim, raros. Exceto na calma noite de segunda. A única pessoa que também estava em casa bateu na porta, e com a voz irritante disse: - Nessa! Telefone! Ai! É aquele guri, não lembro o nome dele. Hum! Quem era? “Onde cê vai eu também eu vou”...haha!
Bom! Dei-me por conta. Já era! Chega de se entocar. Mas que droga! Passei as férias inteiras querendo sair, sair e sair. Conversar e tal. Agora, no último findi, a vontade de não sair do quarto, não sair de casa. Tudo muito bem assim. Decepção, a única, foi a de ouvir, ou melhor, dormir ouvindo o “jogo”. Mas fora isso, tudo bem e bem tranqüilo. Até renovei livros e dvds via internet para não ter que devolvê-los. Ai! O telefonema do Predo fez dar-me por conta que tudo acabou mesmo. Três dias bem aproveitados. Os melhores das férias? Hum...bom...isso já não sei... Deixe-me ver. Teve...hum......livros...tv...internet... filmes (?-hehe)....comida boa (sem sair de casa)... poesia ....poucas discussões com a cria da minha irmã....contos...escrevi algumas bobagens....músicas boas...friiio...ah sim! Alguma coisa faltou...hehe!Bom...mas isso se dá um jeito logo.


Quase perfeitos dias. Os intermináveis apitos dos trens lembravam-me que todos estavam na minha cidade maravilhosa. Ô droga! Bom...amanhã começam as aulas. Vida sociável (?) de novo . . .mas os apitos continuam...que m****! ...

(última segunda-feira)

sexta-feira, julho 28, 2006

Cinza noite...

. . . - Vanessa! Por que tu tá triste?
Dei um meio sorriso, querendo dizer um “sai daqui e não me enche o saco”.
- Ah, não! Tu sabe que eu não gosto de te ver assim...
-Quem disse que eu tô triste?
- Vai dizer que não tá?
-Não, não tô.
Continuei quieta.
O show de um quase rock que saia de uma guitarra desafinada e um abafado vocal tinha acabado há mais de meia hora.O público já se dispersava e agora se transformava em pequenos bandos de bêbados de merda falando qualquer bosta.
- Claro que tá triste. Olha aí! Fica com olhar perdido...
- Só tô afim de ficar quieta.
- Mas tu sabe que tu fica ainda mais linda quando sorri.
Então, sorri. Para ficar “mais linda”? Hum...Não. Para tentar ser simpática e ver se aquele idiota me deixava quieta. O que não deu muito certo.
- Ah! Tu tá com o olhar vazio.... pára com isso. Não fica assim.
Silêncio. Pelo menos eu mantive silêncio.
- Tá. Tu não quer conversar, né? Quer que eu vá embora? Se quiser eu vou.
Mantive o meu silêncio.
- É sério, Vanessa. Se quiser, eu vou dar uma volta. Depois, amanhã a gente se fala.
Cedi um outro meio sorriso, na esperança que ele fosse embora.
- Mas tu sabe que eu não gosto de te ver assim. E tu tá triste, sim.
- Escuta aqui, cara. Eu não tô triste porcaria nenhuma. Só to a fim de ficar aqui sozinha e olhando para onde eu quiser.
Tomou um gole de cerveja.
- Tá, tudo bem. Mas eu só vou ficar aqui do teu lado.
Mais um gole. Mais um pouco de silêncio. Alguns bandos já tinham dado o fora dali.
- Já sei....Tu tá afim de ir embora, né? Eu te levo...
- Tchê. Tu tá surdo?! Eu quero ficar sozinha, quieta. Não tô a fim de papo e pára de me analisar.
Tomou outro gole de cerveja. “Tá- Pensei- agora vai virar e dizer que vai embora”.
- Mas tu não quer nem me dizer o porquê tu tá triste?Porque não adianta tu me dizer que não tá...
- Escuta aqui. Tu ta vendo aquele cara ali ó...sozinho?

Tinha as orelhas compridas e enrugadas, um bigode branco, assim como a camisa, presa ao cinto marrom que acompanhava a calça social cinza. Cinza também era a cor de seu chapéu. No bolso em frente ao coração, algumas canetas coloridas completavam o figurino. Lá ficou durante boa parte da noite. Em pé, escorado no balcão, com o olhar escondido atrás dos grandes óculos e sozinho. Bicando alguns goles de cerveja e de vez quando, sem muita ansiedade, tragando um cigarro. Seu silêncio transparecia sabedoria, ou pelo menos experiência.

- Tá ...e aí? O quê que tem? Só porque o cara é velho?

Os outros que ali estavam ficaram a se perguntar “o que aquele cara tá fazendo aqui”. E eu só queria saber no que ele pensava. Até pensei em ir conversar com ele. Mas...putz! O cara só foi ali aqui porque queria ficar na dele mesmo. Não queria papo. E deixa ele!
Afinal, era o mesmo O que queria. A única diferença é que eu ainda tenho os meus 19. Levantei-me e fui embora . . .

quarta-feira, julho 26, 2006

Mundinhos...inhos...e inhos...

...Cara! É incrível como as pessoas vivem num mundinho de aparências e se conformam com isso. A superficialidade é o que comanda e todos se confortam nisso.
Ora! E depois de tanto quebrar a cara, talvez sejam os outros mesmo os certos. Mas é que às vezes ainda penso (como quem tem esperança) que quando essas pessoas estiverem mais velhas, ou amadurecerem, ou algo de verdade acontecer... enfim, perceberão que esse mundinho não era o melhor. Mas e quando essas pessoas já estão na "velhice". Hum...sabem elas que esse mundinho de faz de conta é mesmo o real.
É que tudo é uma questão de aparências, de oportunismo, até. Mas e que merda!
O que vale a pena então?! Esse meu mundinho fechado e solitário? É, pelo menos sempre me satisfez. E valeu mais a pena
...

CANÇÃO DO AMOR IMPREVISTO


. . .“Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoísta e mau.
E a minha poesia é um vício triste,
Que eu faço tudo por abafar.

Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos...

E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender nada
[numa alegria atônita...

A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos!” . . .
-M.Q.-

Eu ou tu?

(De um breve diálogo que não aconteceu...e não acontecerá...ou quase aconteceu?)

‘-É...gosta até gosto. Mas não é bem assim...
-Ora! Não “bem assim” o quê?! Pqp!
- Tu não entende! Tu sabe que...
-Pqp!Senão gostasse não diria que tem saudade. Ou vai dizer que não disse isso, hem? E ainda depois de ter vindo aqui tu teve coragem de dizer isso!
-Como é que pode afirmar isso?
-Ah!Viu só? Ou tu é uma pessoa muito falsa ou...Ô merda! Afinal, quem tu acha que enganas, hem? Eu ou tu? ...’

segunda-feira, julho 17, 2006

Desesperados passos...

... Tinha os passos desesperados naquele fim de tarde...
Observava a vida ao seu redor, com o intuito de amenizar sua incerteza...
Incerteza de algo que nem tinha certeza que sentia...
E se havia suspeita de qualquer comiseração? Deixa ser?!
Era essa a real insegurança... daquele mundo ansioso...daquele “garantido duvidoso”...
Não de sentir algo real, mas de admitir qualquer sentimento propriamente dito
E “dito”...é o que ainda não foi....e parece não querer decidir...
Já que continua nos seu andar de passos desesperados ...
* ... Seus dedos nunca foram tão ágeis...Ora! A ânsia de expressar o que sentia era a velocidade alcançada...digitava...trocava sílabas, esquecia acentos...
Tudo para não deixar passar qualquer sentido...e quando parecia que conseguiria parar de escrever, no momento em que uma mão encostava nas teclas de letras apagadas e a outra levantava a xícara...
Derramou-se tudo!O café e a história!
- ‘Pare de escrever guria! Fale!!!’

Preferiu limpar o café derramado e continuar escrevendo ...

domingo, julho 16, 2006

* "Pra viajar no cosmos não precisa gasolina..."
Ah! Poisé!

WYWH e nada mais...



... Porto Alegre. Mais um dia qualquer do último fevereiro. “Wish you were here” começou a tocar no rádio. Mais um dia em que queria ficar sozinha, sem conversar, mas aquele guri que tava por lá pegou o violão e começou... Bom... começou a falar sobre Syd Barrett e tal...contou das histórias que sabia...
E eu só concordava.- Tá! Tá. Já sei disso tudo! Me deixa!- Eu só queria ficar na minha. Só que aí: - Roger Waters ou David Gilmour?- Ah! Que dúvida!

Hum... guri do violão, toca WYWH pra mim, hein?
Tem outras histórias do SB que ainda não te contei... ô droga! . . .

(lembrança no início da madrugada de 13 de julho)

sexta-feira, julho 14, 2006

é ...

... É ...viajar...na última vez que algumas coisas estavam assim, não tão confusas, mas com cara de que precisam mudar, ou que tenham que ser esclarecidas...uma viagem foi o melhor.
É sempre bom. O retorno é sempre renovador. É algo automático, natural. Algumas coisas que pareciam estar afetando, ou deixando algumas dúvidas, ficam esclarecidas, mesmo que não se pare para pensar...é assim...natural. Resolvem-se muitas coisas. Porém, não aquele papo “Ah! Agora vou fazer isso, isso e isso”. Não é assim. São quase decisões involuntárias... e que dão certo...

Boa semana ...

....Boa semana...como há muito não acontecia...todos os dias bem vividos...
Acho que foi o tempo bem aproveitado!
Tempo para tudo o que vale a pena!
Em casa durante o dia...ou por aí...caminhando- dias bonitos esses- mas fazendo sempre o que mais gosto.
À noite, na rua...por aí....conversando ou conhecendo alguém. Foi assim durante toda a semana.
Segunda não queria sair de casa, mas sai. E foi muito bom ter saído.
Terça! Bah! Não tive a síndrome da terça-feira. He! Dia com músicas legais...leituras esclarecedoras...tempo até para conversas via msn...
Quarta...Hum! Quarta-feira, mais um dia bacana, uma noite legal. Aquele vento norte tava bacana. Fiquei até quase meia-noite, uma hora por aí, em boa companhia....Macondo? Não, não. Ouvi música legal durante o dia....pra que estragar tudo. Fui para a casa-acordada até quase 4 da manhã.
Quinta...hum! Ah sim...ontem ainda! Conhecer mais pessoas, algumas legais, já outras...
E uma música muito boa que tocou por aí...

Bom...tempo para tudo...fazer o que se quer, quando quer...

Algo que quase acabou com minha tranqüilidade- Falsidade- Arg!

E segue a sexta-feira...preparativos para um findi melhor ainda, melhor que o passado!
E algumas ‘mudanças’... deixa o tempo assim...bem tranqüilo... às vezes (e queria que fosse sempre) não é preciso decidir nada, algumas coisas acontecem! Simplesmente acontecem! Hum...é... nada que uma boa viagem não resolva! ...

Na segunda...arrumação...

... Fazia horas que tava pra arrumar alguns livros que estavam esquecidos lá na estante da sala. A mãe já havia pedido pra liberar um espaço e tocar tudo lá para o quarto. Até que já tava tudo organizado e, azar! Vai ficar por ali ainda, nada de mudanças para o quarto. Para variar, essas arrumações levam quase o dia inteiro para mim. Sempre se acha alguma coisa para ficar fuçando e tal.

A primeira coisa que achei por ali foi uma agenda. Bah! Agenda! Versinhos e tal...hehe! Ah! Quem já não teve essa fase. He! Só que, não raro, os meus versinhos eram letras, traduções de algumas músicas. As colagens lideravam as páginas da tal agenda. Geralmente, recortes de cenas de filmes ou fotos de alguma banda. Ri quando achei uma foto do Lennon e da Yoko! Ri mais ainda quando caiu dali uns cartões que eu peguei da Bizz do meu irmão. A agenda era de 2000, mas esses cartões acho que eram do final dos anos 80, ou início dos 90. Cara! Tinha Echo e The Bunnymen, Carl Perkins, Lobão, Monkees, INXS...algo bem ‘eclético’...hehe!

Li também alguns recados de colegas. Ah! Isso sempre foi mania mesmo, mas nunca gostei dessa história. Assinar agenda no dia do aniversário, alguns dizeres bestas... nunca gostei disso. Era a agenda de colégio também. Em meio às anotações de provas, horários de alguns programas e filmes, foi difícil achar alguma ‘anotação’. Acho- e é quase certo- que devia ter um caderninho separado para isso. Amanhã acho algum desses cadernos por ali. Sim, amanhã.

Fiquei lendo e não deu tempo de arrumar tudo. Tive que sair. Não queria. Queria uma segunda-feira sem sair de casa, mas não deu. Já eram quase seis e eu tinha que ir tomar banho ainda. Mas foi legal. É legal reler algumas coisas e ficar lembrando e tal... não chega a ser saudade...mas é um sentimento, sei lá, acho que bom, parece confortante...

* Acho que devia ter aberto aquela estante ontem ...

(10/07)

Era melhor ter virado a madruga em casa...

'... Sexta-feira. Fazia horas que não aparecia por lá. E na verdade não fazia muita falta, já que das últimas vezes não tivera o prazer de conversar com pessoas legais.
Já estava acostumada com a vida quase solitária que levava.

E era melhor assim. A tarde ia sentar-se no pátio para ler uma revista, continuar algum livro qualquer. Esquentava-se com o sol, pensava no que fazer nas horas seguintes. À tarde, outras ocupações e algumas obrigações. Virava as madrugadas lendo poesias, ou senão escrevendo bobagens. Quando a carga cansava, procurava alguma companhia. Não raro, a casa de algum amigo ou amiga. O que era apenas uma conversa informal, de filosofia de garrafão de vinho, tornava-se o estímulo para suas reflexões, seus textos. Ou então ia até um café, levava seu caderninho de rabiscos e lá ficava a observar. Ainda tinha raros conhecidos que gostavam de falar sobre algo mais ‘construtivo’, geralmente discutiam sobre filmes ou músicas.

Era melhor ficar em casa. Nos últimos tempos só deparava-se com pessoas que viviam num mundinho superficial, chegava a dar nojo. Mas era sexta-feira. Virar mais uma madrugada lendo poesia, ou quem sabe, conversando via msn? Decidiu ir àquele lugar que há tanto não ia. E foi. Chegaram cedo. E como odiava isso. Chegar quando ainda é cedo demais e tudo está vazio,ou ir tarde demais, quando tudo está esvaziando.
Mas lá estavam. Não demorou muito e o DCE lotou. Alguns conhecidos. A tal animação estava oscilando. Quando de repente, uma olhada daquelas (“Foi mesmo para mim?”). Não que fosse o cara mais lindo de lá. Mas foi legal, interessou-se por alguém, algo que há muito não acontecia. Não agüentava ‘quase ter intimidade’ com as pessoas. Virou para o lado, sem muita animação, e comentou com um amigo: “Bah!Agora sim isso aqui tá melhor.” E foi isso.

Olhou ao redor. Não agüentava mais a falsidade de algumas pessoas que por ali estavam.-Vou dar uma volta!. Conversou com alguns conhecidos, conheceu pessoas não tão legais. E voltou para onde estava. Revoltava-se ainda com algumas pessoas. Preferiu ir passear de novo.
Que sono! Tava demais. Encontrou um velho conhecido que agora fazia Publicidade e Propaganda lá em Poa. Mais uma volta, algumas rápidas conversas. E lá estava o tal carinha. Deve ter feito a mesma cara de antes, de assustada. Era legal...olhou bem rápido. Um jeans legal, assim como a camiseta, (que devia ser Marka Diabo ou Mono), uma jaqueta desbotada e um bom e velho All Star preto, igual ao seu.

Pensou: -PQP! Só pode ser da história ou comunicação. Hum...mas bem que podia ser da filosofia. Há tempo não conheço um. Ah! Vai ser sorte demais. Só o que falta me dizer que toca guitarra em alguma bandinha. Aí tô ferrada. He!
Mas ele parecia ser legal, até. Foi dar mais uma volta. Tava muito cansada. Sentou encostou a cabeça na parede e conseguiu dormir em meio aquela barulheira.
Acordou sem nem ter idéia do quanto tinha dormido. Começou a tocar Black Crowes e sem querer, meio sonolenta, deu um empurrão em alguém. Alguém? Quem? Sim, no tal carinha. Não demorou dois segundos e já estavam num papo bacana:
-Bah! Tu curte Black Crowes também?. E aí foi. Após, claro, falar sobre Beatles e afins, resolveram apresentar-se.
- Sabia! Comunicação! Jornal! É maldição já!- pensou.
Estudava na PUC e disse lembrar-se dela, de um evento que acontecera por lá ano passado. E era amigo do seu amigo que cursava PP. Hum...essas ‘coincidências’!

Pois é, e foi esse o seu retorno ao DCE.
Descobria-se semanas depois que era melhor ter ficado quieta e nunca ter dito "Bah! Agora sim isso aqui tá melhor.”
Melhor? Ah! Aquela barba, olhos claros e cabelos cacheados agora só são vistos via MSN.
Não é todo findi que se pode ir à Poa.
Ou que se pode reaprender a vida quase solitária... '

(09/07)