terça-feira, agosto 21, 2007

"Nós dois contra a máquina! ! !"

. . . Quase 4 da manhã e mais de 200 para ler até às 18h30min desta terça-feira.
Várias doses de café e um cinzeiro repleto de pontas (uma ainda está se apagando).

Conversas via MSN . . .

Vanessa, tu não vai pra casa no feriado?

A primeira coisa que me passou pela cabeça não foi “querer ir”, e sim a pergunta: “pra casa?”. Aliás, eu já estou em casa. “Lá” eu seria apenas visita.

Mas instantes antes de tal conversa via MSN, sobre isso mesmo eu pensava. Não, na verdade não era sobre exatamente isso. Era sobre sentir-se sempre como uma criança diante dos olhos dos pais. Não entendam “criança” como sempre imatura. Criança pelo sentimento de precisar decidir coisas que não causam tanto orgulho e tem-se medo de confessar, como quando “criança de verdade”, quebra-se alguma coisa dentro de casa jogando bola e tenta-se esconder esperando que a reação dos pais seria a mais terrível.


Bom...cansada de folhear revistas e ouvir músicas, acesso um blog que muito me faz bem ler. E eis que me deparo com o seguinte texto: SER PAI.







Sim! Até hoje meu pai guarda na carteira
uma foto 3X4 minha.
(Nessa com 6 anos.
Foto para a matrícula da 1ª Série).


Ah! Disso eu bem me lembro: dos campeonatos de futebol.
Ei, Mana. Vamos jogar nós dois contra a máquina?”. E lá ficávamos jogando até tarde, ou até mesmo quando muito frio eu levantava cedo para ir à a aula de Educação Física, ele me dizia: “Fica aí e a gente joga um futebol. Nós dois contra a máquina”.

É...mas o que me fez escrever essas palavras foi a sensação de que sempre serei uma criança em estado de maturação.
Por mais que se quebre alguma coisa dentro de casa jogando bola:










*Ser Pai- Título do texto de Fabrício Carpinejar.

. . .

quarta-feira, agosto 15, 2007

Dúvidas e quase respostas . . .

. . .
Para lembrar um breve diálogo de um não tão distante feriado em Poa:


-Nessinha, eu não ouvi mais aquela banda que a gente escutou esses dias! ! !
-Qual? !
- Aquela! (...)
-Beatles?
-Não!
-Stones?
-Não!!!Aquela...a...a...
- Pink Floyd?
- É...essa aí. O meu pai só coloca pra tocar Ramones.

* E no dia aí lembrado . . . ele tocava bateria e eu cantava.

. . .

segunda-feira, agosto 06, 2007

E sabe por quê?

. . .
Garimpando alguns textinhos, aí está: logo a seguir uma relação que poderia ser resolvida com uma ligação telefônica(como tantos outros textos que faço do telefone o mais eficiente meio de reconciliação, declaração ou desunião).


E SABE POR QUÊ?*

*Essa não é uma tímida declaração
para um amor impossível.


- E o que eu faço, hen? Como eu faço?


Ela suspira. Vai até a cozinha de armários brancos e piso frio e toma um copo d’água. Sente um calor misturando-se com arrepios em todo o corpo. Suspira mais uma vez, ainda mais fundo. Apaga a luz da cozinha e corre para o telefone como quem está preste a chamar uma ambulância. Com a trêmula mão de dedos finos e unhas vermelhas, ela aperta o botão “redial”. Tudo já estava cuidadosamente ensaiado há alguns dias. Mas o máximo que conseguira ir era até o primeiro “tuuu” da ligação. E ele nunca chegara a atender na primeira chamada. Hoje era a noite. Ela não agüentaria mais uma noite cheia de drogas para conseguir dormir e outro extenso dia de trabalho e de extensas olheiras. No segundo toque do telefone,um sonolento“alô”, ainda que sensual:

Oi. Há dias escuto e escuto e escuto aquela canção que tu me mostrou. E sabe por quê?
Agora eu quero! Quero aproveitar contigo o que antes não aproveitei. E sabe por quê?
I-d-i-o-t-a. Isso mesmo! Sou uma idiota. E tu tinhas razão quando dizias que o que era pra ser, se era pra ser, era desde o início. E que tal o início ser agora, hem? E sabe por quê?
Eu não agüento te ver e não poder ficar contigo. Eu quero te abraçar, te beijar ou só ficar de mãos contigo como quando nos bares ficávamos ouvindo as conversas dos outros.
Sabe o que eu estou fazendo agora? Colocando aquela canção de novo. E ela vai tocar de novo, de novo e de novo. Não vai parar enquanto eu não te falar tudo o que está preso na minha garganta. Tão preso que chega a doer o peito.
Deve estás achando que eu sou louca por te falar tudo isso agora, né? Mas há semanas quero te falar isso tudo.
E sabe por quê?

Mesmo que se passasse pela tua cabeça falar essas coisas para mim, isso tudo o que eu estou falando agora, tu não falarias. Tu sempre me mostraste tudo. E eu, idiota, nada percebia e muito menos entendia. E vestindo-me de tuas teorias, até pensei: se ele quisesse, viria falar comigo. Se era mesmo o que talvez fosse pra ser, ele viria.
Mas só entendi que estava na minha vez agora. E não sei se ainda há tempo de um novo início. Não, um recomeço não. Não que tenhamos que esquecer o que passou. Não é isso. Foi tudo tão bom, né? Seria isso: um novo início. Há tempo, né? Clichê esse papo todo, né?
E sabe por quê?
Sabe por quê? Eu não sei. Só sei que quero ficar contigo. E não suspire um ar debochado. Sei que também é o que tu queres. Vou desligar e irei até aí.
E sabe por quê?
Ainda sei onde tu moras.


Desliga o telefone. A única palavra que ele dissera foi um sonolento “alô”. Mas para ela não importa. Coloca a saia que comprara no dia anterior. Desce correndo as escadas de estreitos degraus. Pega um táxi e corre para a Rua da República. No caminho não muito longo pensa: o que tinha que ser dito, já foi. Agora só me resta esperar. Aperta o 305.

- Quem é?
- Desce rápido.
- Ah!Foi a senhora que ligou agora há pouco!
-Quê?!
-Desculpe, mas o seu...como posso dizer...namorado..não mora mais aqui. Mas se senhora quiser eu estou. Sabe como é, né?

Mas hoje era a noite.

Ela não agüentaria mais uma noite cheia de drogas para conseguir dormir.


Dormiria para sempre.
. . .

terça-feira, julho 17, 2007

De uma tragédia...originou-se este post

. . .

D823
Outros Serviços
Segunda-feira -16/07/07-16:19:23

Agência Central dos Correios de SM

Espero, com um envelope A4 encharcado de cola na borda, a compra de um selo
(logo mais descobriria que seria necessária a compra de três).

Lembro das tantas vezes que esperava na agência central de outra cidade.
Porém, aguardava sempre do lado de fora, observando as cotidianas e bizarras cenas de Poa.
Eu ficava minutos, e por vezes até horas, esperando alguém que sempre vinha sem selo algum.
Fico relembrando essas tantas vezes e, quando olho para o relógio, já se passaram quase dez minutos. Um atendente gordo e com crachá passa perto da fila anunciando que “para quem só precisa de selos, é só passar no balcão de informações ali”.
AHAM!
Menos de dois segundos na fila. Três selos. Um real e vinte centavos. Setor de “outras localidades”. E a vontade que senti foi de adentrar junto àquele envelope e ir para “outras localidades”. Mas era apenas um envelope A4.


L.H.4
Lista de Músicas
Terça-feira-17/07/07-22:48:00*


Minha casa em SM

A vontade que ‘precisei’ sentir na noite de hoje não aconteceu na noite de ontem.
Arrumar a casa antes que por aqui não me encontre.

Fiz uma lista com minhas preferidas canções de uma banda. Deixei repetir mil vezes e arrumei- parcialmente- a casa.
Ontem isso seria impossível.
Não foi preguiça, nem sono.
Foram os pensamentos que não paravam (param) de ocupar tempo demais. Dessas coisas que fico pensando em decidir ou não. Na verdade nem sei se devo decidir alguma coisa. Afinal, algumas coisas acontecem-aconteceram(?)-e pronto. Não se precisa decidir nada. Mas eu, na indecisão de nem saber se algo decido, acho que acabo por decidir que nada decido-o que se torna uma decisão.
Esta noite, tais pensamentos não ocupam tanto tempo. No entanto, preocupam-me.

E o que me fez escrever estas linhas foi a seguinte tragédia:
o ‘derrame’ da acetona na minha estante.

*Bem certinho...o relógio recém mudou os minutos!
. . .

quarta-feira, julho 11, 2007

Motivo não tem . . .

Poderia estar em casa, lavando roupa, lavando louça.
Mas aqui estou.
Em frente ao computador, vejo fotos e leio e-mails de pessoas que sinto. . .
Sinto o quê?
Ah! Distância de mer**.
A vida segue em SM.

*Não tem motivo para este post.
Nem sei se há razão para a este blog . . .

domingo, julho 08, 2007

Poxa!

A noite era chuvosa, profundo frio na minha alma. Mas, porém, o som era alto e a ceva era gelada.

Altas horas da matina eu me deparei com um trem passando na minhas costas, com vários vagões e então pensei comigo mesma: tinha que ser. O último vagão carregava hipopotamos.

Um grande estado de torpor abalou minha alma naquela noite tão fria e vazia. Lembrei-me das compras que havia feito no dia anterior no mercado. empanados, bifes, suco de laranja, vinho, leite, café... mas isso é assunto para outra postagem.

Senti uma forte angústia. Algo me dizia na minha alma que deveria ir ao banheiro. Adormeci na porta, quando meu único desejo era tomar um copo de leite.

Corri para casa. No conforto do meu lar vibrava muito ao som de Piranha Suburbana.

Não gosta de ir para o mato
Fica o dia enchendo o saco
Vive sempre em seu apê
Vendo filmes na TV
Piranha Suburbana (repeat 2x)

Dormi depois de uma noite regada a leite e muito rock n roll.
Senti um calor na minha alma. Precisava refrescar-me. Fui para um lugar com piso frio que muito me lembrava cozinha de restaurante. Liguei a tv e resmunguei. Deixer a tv nos chuviscos. Poxa! Consegui dormir.

*03:55 desta segunda-feira.
(e eu apenas digitei tais idéias)
Autor quase desconhecido.
Trilha: Syd Barrett

terça-feira, junho 26, 2007

Crise.

Tá chovendo. O barulho me dá uma vontade de ficar em casa. Tenho que sair mais cedo, afazeres pela rua. E eu não quero. E eu nem sei o que quero. Também acho que não tenho certeza do que não quero. Mas acho que não queria estar aqui. É um cheiro de cigarro que não queria sentir, um frio que queria sentir na companhia de alguém que eu não posso estar. E é saudade, e é ansiedade por algo que não sei. Não sei! Acho que não queria estar aqui. Tenho vontade de ficar sem fazer nada, não que eu esteja com vontade de nada fazer.

Queria sentar num banco, ficar olhando para o nada, observando os outros, só para ver se isso passa. Isso que eu não sei o que é. Isso que quem bem me conhece suspeitou que eu tivesse hoje com isso. “te cuida então”. Ah! Me cuidar?! Eu quero que alguém cuide de mim. Ô merda! “Carência?” Ah, por favor! É que chega uma hora que não dá mais, não suporto. Acho que sei do que (de quem) preciso. Mas não posso ter.


E eu queria ir direto pra casa. Mas tenho que ir na faculdade. Ai, que meeerda! E depois eu queria ir para a casa, ler o que eu quero, e não aquilo que sou obrigada. Quero outra noite como a anterior: na companhia de contos, The Hollies e nada mais. Nada mais!Já que o que eu acho que queria ter...não posso. E que merda esse desabafo! E que meeeerda!!!!!!!!!!!

E na verdade...nem sei se quero que “isso” passe. “Isso”...acho que algumas pessoas já sabem denominar: crise!

segunda-feira, junho 25, 2007

Um telefonema que me fez sentir saudade

- ã . . . alô?!
- Faaala Polar ! ! !

Saudadeeee de m****!

* Um telefonema que me fez sentir saudade!
Só pra variar!!!

segunda-feira, junho 18, 2007

Da série "isso é uma das coisas que vou fazer com meu primeiro salário" . . .

E(?!)
E que chegue o tão esperando fim do mês.
E com ele o salário! Sim ! ! !
E na série “isso é uma das coisas que vou fazer com meu primeiro salário”, já me perdi em tanta coisa.
É conta para pagar, é aquele vinil que há horas quero ter, é um livro barato num sebo qualquer...tanta coisa!

Numa fria tarde de domingo, fazendo cálculos numa parada de ônibus em dia de passe livre, penso que, agora o dinheiro que eu “dependerei dependerá” de mim (com a permissão da infame redundância), devo economizar e não sustentar mais alguns vícios. Pelo menos não como acontece há alguns meses.
Já a pessoa ao meu lado pensa: “Domingo, passe livre, frio...desisto de ser jornalista”.

Tão logo após uma rápida conversa sobre uma futura e próxima formatura, o seguinte comentário: “Eu fico pensando...será que daqui um ano, nesse exato momento...será que eu vou ‘tá melhor?’ Eu espero.”

A esperançosa explanação aí a mim não pertence, mas é o que todos pensam- não é mesmo?!- E parece que pensam ainda mais no semestre que antecede a chegada do tal diploma. Porém, eu não.

Antes pensava que se eu não fizesse tal coisa depois seria mais complicado fazer, mas se fizesse a tal outra coisa dificultaria outra...Aimeudeus! Agora não! Não estou mais tão apreensiva.
Mas até me perguntei, confesso: “É mesmo! O que será neste exato momento da minha pessoa, daqui a trezentos e sessenta e cincos dias?”

Não sei, ninguém sabe! Hum...Se estiver ainda contando contos a ponto de ter que diminuir meus vícios...tudo bem. As várias trilhas que já pensei desde o início da faculdade são no mínimo prazerosas e satisfatórias.
Só sei que uma delas eu já posso adiantar.

Da série “isso é uma das coisas que vou fazer com meu primeiro salário”...POA ! ! !

* Numa segunda-feira gelada, na volta para casa, eu só penso em duas coisas: “Uma dose de café bem doce.” E sobre antecipar uma das minhas vontades, o meu segundo e triste pensamento: “É...Poa vai para a série isso é uma das coisas que vou fazer com meu segundo salário”.

Ou não...tomara que não ! ! !

domingo, junho 10, 2007

Minidicionário da Língua Portuguesa . . .

"Saudade, s.f. Recordação ao mesmo tempo triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou
possuí-las;
pesar pela ausência de pessoa(s) querida(s);
nostalgia;
-s: cumprimentos;
lembranças afetuosas a pessoas ausentes."



“E a vida segue na regra de 3?”
* Dizem que é melhor não pensar sobre.
E sobre a tal regra aí...sem comentários!

segunda-feira, maio 28, 2007

Vontades . . .

De novo. Horas sem nada por aqui.
Muitas coisas novas por aí!
Até me "assegurar" das boas notícias, segue textinho:

...VONTADES...
E SEM QUALQUER VANTAGEM



'. . . Sinto um peso nas pálpebras como nunca antes.
São oito e meia da manhã e estou tonta. Sono, fome, abstinência, outra razões não seriam. Estou em frente ao computador me entretendo com um jogo idiota. É preciso juntar três peças iguais, é quase como um tetris(acho que é esse o nome). Mas não consigo mexer o mouse nem fixar os olhos muito tempo no colorido do monitor. A tontura aumenta, e dessa vez vem acompanhada de enjôo. Da janela, aberta desde o amanhecer, vem um cheiro de comida. Não consigo saber o quê.

Talvez tenha fome. Não consigo comer, não dá vontade. Tentei comer pipoca durante a longa madrugada, mas nem os milhos estourados saciaram a minha forçada vontade de comer. Ontem, as únicas coisas que couberam no meu estômago foram 150ml de chá de maçã e várias doses de café, bem fortes e doces. Droga! Preciso esperar o banco abrir para sacar o dinheiro e poder comprar cigarros. Mais de 24 horas sem fumar e, quase que conseqüentemente, sem comer.

Coloco algumas músicas e olho para o lado esquerdo: uma cama que está há mais de 24 horas sem ser "estendida". Mas não posso dormir, daqui a pouco o banco abre. E estou há bem mais de 24 horas sem dormir. As músicas saem das caixas estouradas do computador. Mas eu estou com fones. Arrumei o som e posso escutar as canções com mais satisfação. Essas canções...fiz uma lista aqui que só me fazem lembrar. Lembrar...foi isso que fiz a maior parte do tempo dessa madruga.

Não só lembranças eu vi. Vi também dois filmes, e um deles fez-me então lembrar. Não o tinha visto antes. Porém, era bem o tipo de filme que o meu irmão mais novo costumava alugar na locadora, a qual ficava a duas ou três quadras de casa. Da nossa casa. Agora não é mais nossa, não é minha, nem dele. Pertence a um desconhecido qualquer.
E eu sinto falta de muitas coisas. Mesmo dessas vezes em que, obrigada, tinha que assistir a filmes bestas com o meu irmão. Mas valia a pena pela companhia. E a saudade aumenta e aumenta!

E os telefonemas quase diários só fazem crescer a vontade de estar perto de quem longe está por vários quilômetros. Cada vez que desligo o telefone, me dá uma vontade de pegar carona e ir. Ir?! Não posso. Tenho que ficar. Responsabilidades por aqui e não parecem fáceis, já que algumas delas não estão sendo levadas a sério. E não é devido à má vontade minha, não é mesmo. Acho que semana que vem darei um jeito de ir. Ir, estar perto de pessoas que me fazem tanta falta.

Até já sei o que fazer. Chegarei em Porto Alegre perto do meio-dia, espero meu irmão, almoço com ele, só para relembrar alguns meses atrás, quando os tais encontros nesse horário eram diários. À tarde vou a lugares dos quais também saudades ficaram. Encontro também algum amigo ou amiga antes das cinco da tarde, porque a tal hora meu irmão estará me esperando na Rua da Praia, ali pela CCMQ, e então juntos aguardaremos a carona do nosso pai, que terá viajado mais de uma hora para nos buscar. Vamos até uma cidade ali perto e ... Droga! Tô com vontade de chorar, a tontura não pára e a lista de músicas já repetiu umas cinco vezes.
Vou tomar banho.
Daqui a pouco preciso comprar cigarros . . .'

terça-feira, maio 01, 2007

Cúmplices . . .

*Para ler ao som de “Wish you were here”

(ou qualquer faixa do disco “O Inimitável”)

. . .
Na verdade...na verdade...sempre o adorei. Mesmo sabendo que ele sentia a coisa mais pura por mim, sem nunca isso admitir. Não chegava a ser orgulho. Qualquer outro sentimento que não este. Agora, após anos de convívio e, sendo os últimos repletos de desentendimentos e angústia, percebo que ele sempre me entendeu. Não aceitava o meu jeito. E ainda não aceita.
Nem sei se ao menos compreende. Acho que entende.

“Não sei porque, Nessa. Mas eu sempre gostei de dormir com os pés assim, pra fora da cama. Cama com guarda pra mim...bah!Tenho pavor.”

Essas revelações compreendo como a mais pura ânsia de intimidade numa relação que nunca vai acabar. Não sei se foi o tempo. Ficamos longe um tempo. Meses, mas que valeram por anos. Talvez ele saiba: estou pronta para viver sozinha.
E daqui a pouco serão mais e mais quilômetros, mais e mais horas de distância.

Disse ainda ontem que sempre soube que essa história de maturidade ele nunca acreditou ter idade. Não sei exatamente o que quis dizer. Se me acha madura, -que palavra horrível, talvez prudente seja menos pior. Isso: se me acha prudente, eu realmente não sei. Ainda soou estranho. “Madura ou prudente?” Ah, indecisão. Indecisa eu? Sim, mas ele sempre está pronto para me ouvir e se irritar com tantas dúvidas.

Mas ele compreendeu até o meu pior porre. E me pediu calma, controle. Não responsabilidade, porque até mesmo quando brigávamos e ele me chamava de irresponsável, sabia eu que era da boca pra fora. Até quando me vê acender um cigarro atrás do outro ele me pede calma, controle. Ele sabe, e só me pede calma, controle.
Não consigo olhar para ele senão com ternura. Afeto sempre tive, mesmo em épocas em que não nos entendíamos por completo, ou fingíamos isso não querer.

Ele me entende sim. E, depois de escrever essas poucas linhas, creio que também me compreende. Sempre me diz “Não é fácil”. E não sei por qual motivo, isso sempre me acalma e me desperta esperança, até em causas que acredito estarem perdidas. Mesmo quando a casa está cheia, ou as ruas repletas de vozes entrelaçadas em diálogos superficiais, ele me confessa. Me confessa seus problemas, anseios e preocupações. Porque ele sabe: não importa os quilômetros e horas de distância. Eu estarei esperando ele -ou indo até ele.


Inúmeras as vezes que me permitiu ficar horas ouvindo músicas e discutindo Beatles, Pink Floyd, Jovem Guarda...E me permitiu presenciar lágrimas tantas outras vezes...ao som de belas canções.
Porque somos assim: cúmplices
e destinados a viver um para o outro . . .

domingo, abril 22, 2007

Sinceramente . . .

Bons e inesquecíveis momentos, os quais não me fazem querer grandes aventuras, mas que se tornam peripécias pela simplicidade.

Desabafos, verdadeiras confissões necessárias.
(Ai, mãe! Mas ele...
Pai! Lembra do fulano...
)
Com o “retorno”, segredos repassados por ligações telefônicas.

A saudade sentida
logo que o carro quebra a esquina.
Olho para trás e o aceno se desfaz.

Surpresas são surpresas, mas de alguma maneira

são transformadas em algo esperado.
O inesperado mais-que-esperado.

A vontade de ir e a vontade de ficar.

Músicas para ouvir e relembrar,

provocar a lembrança.
Mesmo que a lembrança exista sempre,

sem canções ou versos.

E numa noite de domingo,

ouço mil vezes a mesma canção.

Textos e cigarros apagados.

E na mesma noite de domingo,

leio contos (outros...conto eu).

Frases soltas e com sentido (s) . . . (?)

As pequenas e ‘essenciais’ coisas fazem da vida

uma boa vida.


* Aproveito o show da última quinta-feira:
Sinceramente . . .”

Ficou tudo cinza. Dizem que até eu . . .

domingo, abril 01, 2007

Muito embalo no sábado à noite!

Que título horrível. Baita clichê.
E de clichês fez-se o último sábado.
:)
Uma postagem sem muito papo reflexivo como as últimas.
Sábado à noite.
Vontade de nada fazer.
Algum lugar legal? Não...nem tanto!
Ficar mais uma noite em casa?

Hum...até que não era má idéia, já que a última fora agradável e um tanto quanto ‘reveladora’.
E então, vamoquevamo!
E fui. E fomos. Desce o som e todo mundo pula e grita:

“Lua de Cristal...”
Trilhas de filmes e até de novelas.
Era cada sorriso, um maior que o outro!





E tantos ruídos na comunicação...aimeudeus!
Nessa fala para Predo: - E ainda não tocou Xuxa!
Lisa diz para Nessa: - Eu já fui duas vezes!
Nessa entende: "Eu já vim em duas Junkies".
Nessa pensa: “Mas não foram mais?!”


Ruídos. Calor!
Ataques de riso e todos com o espírito no mais alto grau nostálgico possível.
“Deixa eu andar na tua moto.
Mas quem vai na frente é você...”

Fotos! Flashes capazes de cegar qualquer um.
Doce e vinil.



Ah, claro! Um ar condicionado que pingava cerveja.

quinta-feira, março 29, 2007

Caio (de novo)

“...Houve um tempo em que não nos conhecíamos, e esse tempo em que passamos desconhecidos e insuspeitados um pelo outro, esse tempo eu lembro".

Lembrando alguns momentos, os mesmos que pensava quando escrevi o texto abaixo, foi impossível não pensar tanto alguém. Instantes relembrados com um sentimento que não tenho a intenção de denominar, até porque já tentei e não consegui.

“Às vezes me espanto e me pergunto como pudemos a tal ponto mergulhar naquilo que estava acontecendo sem a menor tentativa de resistência, não porque aquilo fosse terrível ou porque nos marcasse profundamente ou nos dilacerasse- e talvez tenha sido terrível, sim,é possível, talvez tenha nos marcado profundamente ou nos dilacerado, a verdade é que ainda hesito em dar um nome àquilo que ficou depois de tudo. Porque alguma coisa ficou”.

“Porque alguma coisa ficou”.

E se ficou...já não sei.
Agora, escrevendo essas coisas que podem não ter importância, toca uma canção que podia ter sido especial para duas pessoas. E só é para mim.

Ele ainda nada falou se para ele também é.
A canção continua tocando. Coincidência. Pensando em uma pessoa, escrevendo sobre uma pessoa, “aquela” música toca e se expande pelo apartamento vazio. Agora penso: “Ah, bobagem tudo isso”.

“Então tentei dar uma ordem cronológica aos fatos: primeiro quando nos conhecemos; logo a seguir a maneira como esse conhecimento se desenrolou até chegar no ponto em que eu queria, e que era o fim, embora até hoje eu me pergunte se foi realmente um fim”.

* “É impossível descobrir que se sente algo depois!
Não me vem com essa, Vanessa”.


As citações aí são (de novo)

de Caio Fernando Abreu.
Espero ficar um tempo sem referências. Tornou-se impossível não usá-las. É como quando toca uma música que quer dizer exatamente como nos sentimos ou o que pensamos. Como a que continua tocando. Penso de novo: “Ah, bobagem tudo isso”.
Já a última frase é um breve fragmento de uma confessional conversa entre amigas.
E ela me diz sempre a verdade e eu continuo acreditando na mentira.
Ah, bobagem tudo isso.

Semana que vem . . . novos rumos. Ou o mesmo, né?!
(Coloco a canção para tocar de novo)


terça-feira, março 27, 2007

O Dia de Ontem (na noite de ontem)

Sem tempo, esquecimento, preguiça!
Segue texto que deveria ter postado aqui
na última quinta-feira (15 de março).

. . . Há horas penso em algo.
Em algo que não se precisa pensar muito.
Talvez o tempo necessário para se ter consciência.
Nos últimos dias, esse algo que não precisa muito tempo para se pensar, tem ocupado boa parte dos segundos de cada minuto em que nada tenho para fazer. E mesmo quando faço qualquer coisa para me distrair desse algo, lá está ele, estampado na página 113:

“Ainda ontem à noite eu te disse que era preciso tecer. Ontem à noite disseste que não era difícil, disseste que um pouco irônica que bastava começar, que no começo era só fingir e logo depois, o fingimento passava a ser verdade, então a gente ia até o fundo do fundo”.

O trecho acima resume boa parte da teoria desse algo que tanto penso.

Mas não mais somente pensarei.
Não mais pensarei.

“Eu te disse que estava cansado de cerzir aquela matéria gasta no fundo de mim, exausto de recobri-la às vezes de veludo, outras de cetim, purpurina ou seda- mas sabendo que no fundo permanecia aquela pobre estopa desgastada.”

As palavras dos fragmentos aí valem por muitas que preencheria esse post nas minhas palavras.

Sem mais por hoje . . .

O entre aspas aí refere-se ao conto

"O dia de ontem", de Caio Fernando Abreu.

quinta-feira, março 15, 2007

Primeira vez, primeira noite . . .

. . .
Sim, foi ontem. Inesquecível e agradável.
A primeira noite que passei sozinha com ele, nele.
Um lugar legal. Ele desconhecido. Porém, em poucos dias, menos de uma semana, estava ele "com a minha cara". Identificação.
Minhas coisas já estavam lá. Então, estava eu muito à vontade.
Sentia-me em casa. E era mesmo.

Primeira vez, primeira noite!
Foi bem tranqüila. Meus cartazes colados na parede, meus livros na prateleira, meus cd's na estante e meus discos jogados no chão que, assim como eu, sentiam falta do toca-disco que está na loja para ser consertado. Mas era tudo meu.
Eu ali, pela primeira vez sozinha com ele. Só nos. O meu apartamento e eu.

4 da madrugada e tentava dormir numa casa que não era a mesma que há mais de quinze anos morei. Não é mais ela, é ele. Mas prefiro continuar chamando de casa. Ap?! ...não! Agora é uma casa. Só minha.
Tentava dormir. Os tic-tacs dos relógios e eu numa primeira noite na nova casa . . .


Escrito na noite de 14 de março de 2007.


*Ah! Há horas não havia nada por aqui!
Mas agora vai!
. . .

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Caminho . . .

. . . Eu não sei, mas suspeito que hoje, perto das onze da manhã de uma quarta-feira, eu era a pessoa mais feliz que caminhava pela Rua da Praia.
Pelo menos era a mais sorridente da Rua dos Andradas.
O motivo?
Poderia ser um dos tantos dias em que se acorda com uma alegria sem motivo aparente, sabe? Porém, foi uma dessas coisas simples da vida que fez o dia ficar ainda melhor.

* E que "revelação", hein?
Que coisa mais pessoal essa aí escrita - e todas são(?!).
Não era para ser assim, mas tantas coisas não são para ser e acabam sendo, ou são e acabam não sendo, não é mesmo?!
. . .

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Canção . . .

. . .

“Ontem de manhã quando acordei
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de 20 anos

E eu tenho mais de mil perguntas sem respostas
Estou ligada num futuro blue

E eu quero as cores e os colírios
Meus delírios
Estou ligada num futuro blue . . ."

_ Vitor Martins e Sueli Costa _

* Linda canção...na voz da Elis!

. . .

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Sem culpas e (in)decisões!

Um bom começo de semana, uma boa notícia logo pela manhã.
A vida vivida devagar e sem preocupar-se demais com coisas que exigem preocupação, já que a preocupação demasiada é, na verdade, exigida por nós.
Sem muita ânsia. Calma, até quem mal me conhece assim me caracterizou. Uma pessoa tranqüila. Não, ultimamente aprendi a ser ainda mais tranqüila. Aprendi...não! Transformações involuntárias.

- Segue textinho aí abaixo:

Decisões.
“. . . Ooh I need your love babe...
. . . Hold me, love me...”
Uma terça-feira. Muito queria chegar cedo em casa, ali pelo início da noite. Claro, com uma parada rápida antes da chegada ao lar. Desviei caminho, dei voltas e voltas, mas que me fizeram parar no mesmo lugar, no mesmo bar. Parei ali, parei de tomar remédios. Uma Polar que demorou um século para chegar a minha mesa. E quando chegou estava quente. Já que a vida é feita de decisões (mesmo a minha tenha sido tomada de indecisões), decido ir para casa logo, antes que encontrasse um conhecido. Antes, claro, uma volta. Estava ”cedo” e o outro lugar ainda estava vazio. Na televisão vejo John Lennon e reconheço: “Bah! Agora vem Jumping Jack Flash”. Senti obrigação, puxei a cadeira e ali fiquei. Acabou o “Circus”. E o cara do balcão pergunta: “e o que podia ser agora?”. Hum...Beatles?!
Começou a rolar um documentário que sempre rola nesse bar.
Cinco minutos depois, vou até o balcão. “Não, o que tava rolando semana passada. Era o cd”. Ele disse que esperaria, o pessoal estava gostando, mas que sem demora colocaria o cd.
Mas eu queria ir, antes que algo acontecesse e eu tivesse que decidir entre ir para casa ou ficar até a hora do bar fechar mais uma noite. E eu disse que estava indo. Ele disse que estava cedo. E começou a falar que se fosse para casa eu ficaria triste, que ficasse ali, tomasse uma cerveja. Triste? Sabia ele há quanto tempo eu não tinha uma noite sem passar por ali. “Mais uma cerveja?”- pensei. Até que não seria nada mal. Mas e o dinheiro? Não tinha mais, teria que ir para casa buscar, e eu não estava a fim de ir para casa, pegar dinheiro e voltar. Até porque se para casa fosse, não voltaria. E eu queria ficar em casa, pelo menos uma noite, a noite inteira em casa, sozinha. E a vontade de ficar sozinha ouvindo um som legal me agradava. Mas e o que mais? Quando decido ir, uma pergunta idiota me é dirigida: Tu tá a fim de tomar uma cerveja?

Cerveja de graça, som bacana. Voltei para a mesma mesa, acompanhada do documentário que mal se ouvia. As mesas estavam sendo preenchidas. Anunciavam-se rodas de amigos que ali ficariam algumas horas, ou então casais que sentavam, tomavam uma cerveja e logo se mandavam dali. Acabou a cerveja. Pego a bolsa. Quando firmo os dois pés no chão para levantar-me, começa o tal cd. Vou esperar até “Eight days a week”. Fiquei a noite toda torcendo para não encontrar ninguém. E logo quando começa essa música um conhecido senta-se junto à mesa, mas logo percebe que não estou a fim de muito papo, entende, dá o fora. Acabou a música, agradeço a cerveja grátis ao dono do bar. Decido ir pelo caminho mais longo e mais movimentado. Na última quadra antes de chegar em casa encontro mais um conhecido, ao qual digo que já estou indo. Já na esquina da rua onde fica o prédio que moro, outro conhecido. Tudo é decisão, não é? E a noite acabou assim: a volta ao bar, mais uma cerveja, um sono bom e o prenúncio de uma quarta-feira com bons momentos.